terça-feira, outubro 18, 2005

Tropelias da jovem Ralha

makeup

É de desconfiar quando a pequena está caladinha que nem um rato, entretida noutra divisão da casa sem chatear... Ri-me tanto, que nem consegui gritar-lhe pelas sombras destruídas ou pelo tratamento facial (reparem nas tendências góticas da pequena, reveladas aos 22 meses de idade).
Estou de férias, tenho um post na cabeça, mas está difícil de parir. As minhas desculpas aos assíduos.

segunda-feira, outubro 17, 2005

Parabéns, senhor Vring

Pensei mandar um sms à meia noite, antes de te transformares em lobisomem.
Mas achei que era piroso, optei por te dar os parabéns por aqui.
Beijo enorme, das tuas eternas admiradoras
Dia e Carolina (que te comprou uma prenda linda, linda para a casa nova)

domingo, outubro 16, 2005

Notícias de Santa Marta - histórias de 40 minutos a passar vestidinhos cagões a ferro

Este post foi aberto no sábado, no dia mais odiado (ainda bem que não sou a única).
Este sábado excedeu-se, porém. Tinha acabado de escrever o título do post quando o telefone tocou. Cinco minutos depois a minha homónima veio encher esta casa que é demasiado grande como a minha solidão. Foi tudo o que escrevi, o título e até tinha resolvido variar; não o escrevi no sofá laranja, virada para a janela de madeira pequenina, como é hábito, mas em cima da cama feita de lavado.
Tinha estado a passar a ferro antes de me sentar em cima da cama, antes de deitar o Toshiba confortavelmente em cima da minha almofada de sumaúma, antes de o telefone tocar.
Não tinha lençóis para me acalmar; apostei numa dose de vestidos cagões de bébé para me dar clarividência e paz nas desavenças.
Em 40 minutos passei 16 vestidos da minha filha. Por várias vezes disse a mim própria que sou uma abécula - tenho uma avença mensal na empresa da namorada ou que raio ela é do meu tio para me passarem a roupa a ferro (não é namorada não; como se chama a uma luso-brasileira com um nome impensável, casada e mãe de três filhos, que à pala do meu tio banana, e sem qualquer pagamento através de favores sexuais, tem uma casa mobilada e equipada e um negócio montado???).
Estive 40 minutos a tirar vincos da roupa em miniatura da Carolina, isto em cima da mesa de jantar, porque não tenho nem terei tábua, mas ao menos, assim, a mesa sente-se realizada, ganha alguma utilidade, porque servir refeições numa base diária nesta casa invulgar já sabe a mesita que não pode contar.
Estendi uma toalha turca azul cueca dobrada em dois sobre o vidro temperado - é bem bonita a mesa que o meu querido Pedro me ofereceu, a nossa mesa, comprada ao mesmo tempo que a chaise longue que arruinou o nosso casamento (coitada da chaise longue; diz-lhe que ela é linda, que sou eu que estou a exagerar e que ainda a amo como no primeiro dia em que a vi dengosa lá na nossa sala) -, pus água com cheirinho de colónia de bébé no reservatório e girei a roda para me dar o máximo de vapor - gosto de ouvir o barulho dos urros do vapor.
Um a um, fui emagrecendo a pilha de tecido amarrotado; e quando tenho que passar os "smokes" delicados dos vestidos caros da Carolina, ou vincar as pregas dos machos de alguns vestidos da burguesinha de olhos azuis, ponho a língua de fora, denunciando que estou com um trabalho meticuloso em mãos.
Seria eu feliz a passar a ferro doze horas por dia, como a namorada ou sei lá o que é que é aquela gaja que arruina a conta bancária do meu tio?
Para aí ao sétimo vestido, lembro-me de estar no escritório do avó Oliveira e de embrulhar compulsivamente tudo o que estava à mão com papel kraft (hoje em dia chama-se kraft, é ecológico e está na moda, na altura, há vinte e picos anos atrás não sei o que lhe chamavam, só sei que era papel de terceira categoria, que servia para acondicionar frutas e legumes - lá em casa pelo menos).
O avó Oliveira ralhou-me (olha que giro, o avô Ralha nunca me ralhou; que pena...) por eu ter embrulhado a lista telefónica (adorava ligar para o número de telefone das horas: pi, pi - ao segundo sinal serão xxx horas yyy minutos e www segundos), mas eu disse, em minha defesa, que estava a praticar, porque quando fosse grande queria ser embrulhadora de presentes de Natal. E ele, velhinho, com oitenta e muitos anos, suspirou e usou um dos verbos que eu mais gosto - "Ai Diana que me arrelias".
Poderia eu ser feliz a fazer embrulhos numa loja?
Pouco tempo mais tarde, seduziu-me a ideia de ser costureira. Passava os dias com tecidos, linhas, uma máquina de costura em miniatura que o meu avô Ralha tinha mandado vir do catálogo francês da La Redoute e os moldes que fazia em papel vegetal para as toilletes das minhas várias dezenas de Barbies e similares. Nos meus anos, a minha avó adoptiva, a Dona Ilda, vizinha do quinto esquerdo deu-me uma mala completa de costura; foi seguramente das prendas que mais marcaram a minha infância: anos e anos de diversão em que não chateei ninguém, em que não parti pernas a jogar a apanhada, apenas costurei. Riscava o molde, cortava, chuleava e cozia. Já na altura era viciada em compras e roupa e queimei vários anos de mesada em modelos de alta costura da Barbie (há um belíssimo que hei-de encontrar; custou-me quatro contos há coisa de 18 anos; uma saia pelissada dourada e um casaco Channel em acobreado). Mas gostava também de fazer as minhas roupas (a salientar, das minhas obras mais bem conseguidas, um top em tricot, feito com lã mohair branca).
Então, poderia eu ser feliz a fazer bainhas de calças de gosto duvidoso, com mau corte e tecidos mixurucas, durante 12 horas por dia?
Quando já era crescidinha e namorava com o "tontinho" (estive quase quatro anos da minha adolescência ao lado de um ser humano a quem chamava de "tontinho"; ele era bom rapaz, até deixava que o meu pai o beijasse - o Zé Ralha gosta de beijar os meus namorados; o Pedro sempre se conseguiu esquivar, mas lembro-me de uma situação embaraçosa em que o Zé Ralha foi insistindo à beira da piscina naquele cumprimento muito caloroso e meio abichanado que sempre limitou ao mínimo as minhas visitas lá para os lados dos Capuchos), servia copos a homens de aspecto decente, alguns com polos da Burberrys e porta-chaves com o emblema da Mercedes e da BMW, que atravessavam a ponte 25 de Abril para ver travestis de quinta categoria a fazer playbacks miseráveis, num bar de aspecto duvidoso que, outrora, tinha sido do Joel Branco. Servia copos e memorizava como os homens de aspecto decente engatavam os homens vestidos de mulher, com a cara cheia de betume baço e espesso, que apenas realçava a barba rija que prespontava debaixo de tanta maquilhagem. Às vezes, a noite ia longa e o barmen, heterossexual por sinal, com uma âncora de marinheiro tatuada no braço direito, confidenciava-me que as melhores mamadas da sua vida tinham sido feitas por paneleiros.
Podia eu ser feliz a servir copos a homens de aspecto decente?
As reflexões provocadas pelo acto de passar a ferro são sempre intensas e perturbadoras. Eu podia ser feliz como na sexta-feira, ao lusco fusco, com toda a cidade a ver de binóculos aquilo que eu não vos vou contar.

sexta-feira, outubro 14, 2005

E se dúvidas houvesse...

...ficaram todas tiradas há poucochinho (agora, totalmente a despropósito, lembrei-me do meu avô Ralha no elevador da Praça Pasteur a apertar-me as bochechas - a demonstração de afecto mais calorosa, à parte das chapadinhas -, ao mesmo tempo que me chamava Dona Nicas patusca).
Sexta-feira é, definitivamente, o teu dia.

Pastilha elástica

Não posso deixar os leitores à míngua.
O homem do momento, aquele que dentro deste rectangulozito no cú da Europa e do outro lado do oceano atlântico é quase todos os dias procurado sofregamente nos mais importantes motores de busca da Internet - Google, Yahoo e Altavista - é a musa deste mini-post, escrito entre zapping de blogues, reservas de bilhetes de avião, e conversa animadinha com o meu chulo literário.
Ontem foi dia de Vring. Dia anormal de Vring - os dias a ele dedicados são as terças; as quintas são à conta da minha mana Qui Qui; o chulo literário teve um erro de casting e escolheu as quartas, mas, na realidade as sextas é que lhe são dedicadas (os sábados são do casal maravilha M&M, por isso, despachem-se a fazer as vossas reservas, já só tenho as segundas e os domingos vagos)
Tinha um post em draft guardado sobre o senhor holandês, sobre a paz que ele me traz quando estamos juntos. É um feliz caso de uma paixão arrebatadora, assolapada e muito ridícula (da minha parte), que se transformou no mais parecido que eu tenho com uma relação funcional.
Durante o mês passado, três leitores vieram cá parar à pála do Andy (um brasileiro; dois norte-americanos). Há tarados para tudo, e da lista de esquizofrenias que servem de convite a novos leitores deste blog temos: espantar pombos, com a variante de exterminar pombos, ambas vindas do Brasil. Aliás, do Brasil vêem as mais perturbadoras pesquisas em motores de busca de renome. A decorar: "pedras visiculas", "história do nome domingas", "goto lindo da tia", mas o que eu mais gosto, caros, é este: "ganhe dinheiro com vaca de leite no semi-árido". "Carro de surfista" e "maquina rebelar fotografia kodak" são outras pérolas que trazem leitores acidentais a esta (T)ralha
Ontem a minha filha sacou a carta de condução holandesa do Vring e chamou-lhe papá - ainda não estou em mim, foi um dos pontos altos da noite. Depois, fui pagar a conta e fiquei babada a olhá-los aos dois na palhaçada com um pau de canela. Já em minha casa, a preparar um biberon e duas caipirinhas, fechei os olhos para melhor memorizar as gargalhadas que vinham do sofá laranja.
Noite do caralho, que acabou em beleza com pastilha elástica.

PS - Ainda não foi desta que eu contei a história da outra noite, aquela em que tu ias morrendo com os pelos das gatas.

quarta-feira, outubro 12, 2005

Manuel Ricardo

O Manuel Ricardo é arquitecto.
Eu não falo com o Manuel Ricardo há dez anos.
O Manuel Ricardo - era sempre assim que eu o tratava, pelos dois nomes; em casa, a mãe enfermeira e o pai que lhe punha os cornos com a secretária (não me lembro já o que ele fazia), tratavam-no por Ricardo; a pandilha do Centro Roma chamava-lhe Manel - está casado com uma tipa baixinha de anca larga, com a cara marcada por um acne severo, uma nova rica que, há dez anos, conduzia um jipinho caixa de fósforos -Vitara, era isso, Vitara a gasolina, gastava 20 litros de gasolina aos cem -, têm uma filha linda, o Manuel Ricardo e a nova rica, da idade da minha.
A alcunha do Manuel Ricardo era o "conquilha". Porque ficávamos horas na praia, à beira mar, a desenterrar as conchinhas que horas mais tarde se transformavam num pitéu dos deuses algures numa praceta do bairro de Alvalade.
O Manuel Ricardo conduzia uma acelera, era Suzuki, como o jipe da nova rica, era Suzuki Adress. Ia-me buscar todos os dias ao Rainha de mota. Passavámos os dias juntos. Eu e o Manuel Ricardo conhecemo-nos numa festa do caloiro no ISCTE, eu tinha 16 anos, ele 19, acabado de entrar para arquitectura na Lusíada, não me esqueço que uma das meninas que estava sentada ao nosso lado, com o rosto pintado pelos padrinhos, e uma Super Bock na mão, tinha entrado para o curso de cardio-pneumologia. Eu reencontrei o Manuel Ricardo numa noite em que ia para os ensaios da minha banda, no grupo Recreativo Ramiro José, no Bairro de São Miguel, onde um cenourinha chamado Miguel me dava boleias para casa de XT 600.
O Manuel Ricardo era acólito, mas tinha dilemas existenciais porque servia na Igreja de manhã e à noite fumava ganzas. O Manuel Ricardo foi o amor mais bonito que eu tive. Eu namorava com o melhor amigo do Manuel Ricardo.
Tinha um Renault 5, PC-69-35, vestia sempre calças e blusão de ganga da Levis e umas botas da Vision. No Inverno, tinha um casaco de penas azul escuro.
O Miguel preto - era mesmo preto, enorme, um soba, era também um grande mentiroso, dizia que era polícia, mas era tudo treta - tinha um Panda encarnado e funcionava como guardião do nosso amor, proporcionava-nos momentos a sós, lembro-me de uma noite de Verão a vermos desenhos nas nuvens e confessarmos o quanto gostávamos um do outro, algures ao pé do rio, o Miguel levou-nos até lá e depois desapareceu, foi comprar pastéis de Belém e não regressou até a madrugada já ir alta.
Nunca fizemos nada. Eu perdi o Manuel Ricardo na Figueira da Foz, detesto essa terra, nunca mais lá ponho os pés. Perdi-o para a nova rica, cuja sala de estar tinha móveis em acrílico com dourados e colunas coríntias de gesso.
No Natal passado fiz uma reportagem sobre uns assaltos na João XXI - a reportagem foi motivada pelo assalto à casa do editor adjunto da secção de Fotografia - e fiquei estática com uma bébé linda na montra de uma loja pindérica da mãe da Sónia - é o nome da estrupícia que me levou o meu amor platónico mais bonito.
Estava do outro lado da rua, ao pé do Londres, e soube, mesmo sem óculos, que ela era a filha do Manuel Ricardo. Apressei-me em atravessar a rua, em transgressão, cega, fiquei a mirá-la da montra, a fingir que via as roupas novas ricas da montra. A cara chapada do pai.
Virei-me para a esquerda e ele estava estático a ver a minha figura de tonta com o nariz colado à montra. Ficámos parados no tempo, a memorizar os riscos de uma década nos nossos rostos, mudos, eu com o coração na boca. Até que a nova rica apareceu e eu, quase a desmaiar, saí do transe e disse: "Até daqui a dez anos, Manuel Ricardo".
Passados dez anos ainda sonho com o Manuel Ricardo Simões.
Hoje, uma noite dura, sonhei com ele.

Eu não mereço 229 visitas num dia

Obrigada.

terça-feira, outubro 11, 2005

Se eu cair ao mar quem me salvará?

Agora fumo SG Ventil.
Voltei aos meus 15 anos, estou nas escadas do anexo do Rainha D. Leonor, perto dos balneários das raparigas, do Ginásio grande e da sala de música onde fui feliz há um ano, quando me ensinaram a ler música, quando a começei a sonhar com cinco linhas e quatro espaços. Estou lá sentada, sempre com a Ana, encontrei uma pessoa que canta bem como eu e que não tem vergonha de saber cantar passamos os intervalos, os furos, a fumar SG Ventil e a cantar à capela naquelas escadas.
Eu ensino-lhe músicas tristes que a minha mãe me canta desde que eu nasci - o Leonardo fica roxo quando vamos a cantar pelo meio da rua, afasta-se de nós, como se não conhecesse a loira e a morena pequenina que cantam despudoradamente melodias que já as nossas avós cantavam nas minas, sentadas em frente à roca a fiar -, ensino-lhe os discos todos dos Madredeus - só havia três: Os Dias da Madredeus, Existir e o Lisboa, poucos meses depois saiu o Espírito da Paz; fui cantar para a estação de Alvalade para conseguir os três contos, subi à Valentim de Carvalho do Centro Comercial poucas horas depois, com o dinheiro, com uma pilha de moedas nas mãos - e ela, em troca, põe-me a cantar Janis Joplin.
A Ana tem a voz rouca, a minha é limpa, cristalina, eu gosto de Jazz, da Billie e da Ella, mas adoro os Madredeus, tenho 14 anos, fumo Ventil, e a minha música favorita é a Sombra - "Se eu cair ao mar quem me salvará?/ Que eu não tenho amigos, Quem é que será? -, ela não a consegue cantar, não chega lá, mas fazemos arranjos musicais naquelas escadas que arrepiam, ela vários tons abaixo do meu e numa tarde qualquer, pouquíssimo tempo depois de nos conhecermos, estamos ainda no primeiro trimestre, a Rita Almeida, a melhor aluna da turma desde sempre até eu ter aparecido para lhe estragar o reinado, já desistiu de nos acompanhar naquelas incursões, roubei-lhe a amiga, e a Ana diz-me: "Eu salvo-te se tu caíres ao mar".

segunda-feira, outubro 10, 2005

A tua rua também tem uma louca

A tua rua também tem uma louca - no quarto andar esquerdo, se não me falha a miserável percepção espacial com que nasci.
Estou sentada no Idea, não sei há quantos segundos, muitos seguradamente, não consigo sair daqui, carro em segunda fila, embicado, rabo para fora, às vezes os autocarros passam de razia e eu fico impávida e serena a ver as tangentes pelo retrovisor, não tenho cigarros, tenho duas folhas, um lápis, uma Grande Reportagem , e um gloss com sabor a morango, que multiplica o volume dos meus lábios já de si carnudos, estou congelada, tremem-me as pernas, o Nyman toca em volume 45 (sempre ímpar, o volume), as janelas do carro estão fechadas, mas, mesmo assim, comecei a ouvi-la.
Tem uma manta com riscas coloridas à janela - lista preta, azul céu, azul escuro, verde fluorescente, verde escuro, depois vêem os laranjas, os encarnados e os rosados, mas é um quarto andar, eu estou sem óculos e não consigo diferenciar as cores.
- Quem me dera que o meu filho deixasse de fumar. Mas assim não, assim não dá -, grita ela pela janela quase rouca. Às vezes debruça-se para a frente, para atirar palavras como quem atira escarretas (tão gira esta palavra), fico a pensar se terá coragem para se atirar (os vizinhos agradeceriam, de certeza. Faz uma barulheira infernal a senhora, possessa).
Ela grita "não, assim não pode ser" e eu acho que tem toda a razão e tenho pena de estar apática e não ter coragem de fazer um disparate semelhante à tua porta, depois de te teres ido embora com a belíssima asneira: "Azar do caralho".
Mas ainda não é o meu timing. Não é a minha vez. Estou em fila de espera para passar a fronteira. Desta vez foi ela, 50 e poucos anos, cabelo negro apanhado num tornuxo com uma rede, calças de ganga e tee-shirt pistáchio à janela junto à manta listada.
O Carmona ganhou, voltei a ser respeitada no pasquim que me emprateleirou há dois anos e picos por ter tido uma filha, a louca parece que sossegou, finalmente, o meu coração ainda bate a mil, vou ficar quietinha mais uns segundos, tantos quanto a faixa quinze deste CD, e aí vou conseguir rodar a chave na ignição e rumar para a redacção.

Não esperem grandes prosas neste blog. Perdi o leitor. O mais importante.

Post escrito a lápis, algures na cidade, numa rua que nem é assim tão feiosa, no verso de uma fotocópia de uma entrevista ao Sá Fernandes.

Estava a escrever isto quando tu apareceste à janela do carro, quase me mataste de susto, deste-me um cigarro e foste embora. A louca voltou à janela: "Isto não é do Carmona Rodrigues, é meu!", grita a senhora. É a minha deixa. Vou sair daqui.

Amanhã logo se vê.

domingo, outubro 09, 2005

Reflexão

Bom, eis-nos no Dia C - Carmona ou Carrilho.
O JPH vai perder a aposta, quem vai ganhar é o meu (salvo seja) candidato, o que eu cobri (salvo seja outra vez).
Estou de toalha enrolada no cabelo, acabei de sair do banho, tenho que ir votar e depois por-me a caminho da redacção, mas decidi ligar o Toshiba para para vos deixar esta nota de reflexão que surgiu ontem ao almoço com os meus queridos amigos M&M, entre umas pratadas de secretos de porco preto e uma sangria de champagne (somos tão burgueses...)
Cá vai: deve o/a amante ser fiel? Fico à espera de sugestões na caixa dos comments, ou mesmo no mail aqui da (T)ralha (recebi uma cartinha de um admirador e mais nada; leitores desnaturados... Façam ginástica aos dedos, vá, isto não é só dormir com a patroa...)

sexta-feira, outubro 07, 2005

Recortes da vida de uma fada do lar

Hoje o chefe proibiu-me de pôr um pé na redacção. Que estou com um ar muito cansado, e mais não sei o quê, e eu disse-lhe: "Chefinho, quem corre por gosto não cansa. Só preciso de ter um tempinho para ir tirar o bigode, que está uma vergonha, e mais nada". Pus a secção dos paginadores toda a rir, eles conhecem-me há mais de oito anos, sabem que já não há nada a fazer, que eu sou mesmo assim de nascença, não há arranjo possível, se mexe só estraga ainda mais.
Mas não o convenci. Estou em casa. Deliberadamente, não disse à minha mãe que estou de folga, para poder estar aqui na Martinha, a blogar à vontade, a namorar à janela, sem ter que me preocupar com a criança (é para isso que as avós servem).
Mas dia em casa não é só netcabo wireless. Há que dar uma de fada do lar (o meu sonho é ser foda do lar), arrumar aquilo que a Carolina desarrumou, aspirar o cotão, lavar a loiça que está há mais de uma semana estática no lava-loiças. Mas digam-me, meus amigos, como é que se põe uma capa de edredon king size sozinha?
Suei, suei e desisti. Quando vier cá alguém a casa cravo uma mãozinha.

Na espuma da noite

Ontem à noite escrevi uma "posta", uma "posta" branquinha, gorducha, daquelas do lombo, quase sem espinhas, das que as mães cedem sem hesitar às suas crias (eu nunca vou ser uma mãe assim, lamento, Carolina, não vou comer cabeças de peixe e os peitos do frango vão ser sempre para mim, mas tu sabias disso quando me escolheste, sabias perfeitamente, estudaste todos os meus movimentos, sabes que eu choro num dia e rio no outro, que me sinto grande, poderosa em dois dias da semana, e o pior dos estafermos nos restantes cinco; sabias ao que vinhas, agradeço-te a coragem, gosto tanto de ter uma filha loira, de olhos azuis, um anjinho barroco, que tem um feitiozinho de merda aos 21 meses de idade; gosto da forma como me testas, até consigo achar graça ao facto de teres arrancado um olho a um gato da Magui, e quanto ao problema das cabeças do peixe - e nós não havemos de comer tantas vezes peixe, não me estou a ver a fazer peixe cozido, por exemplo - compramos aquelas embalagens da Pescanova, caras como o caralho, que trazem só lombinhos sem espinhas), mas o Blogger não tinha jantado, os senhores da Google deixaram a fera assim à solta, com fome, e o meu post foi devorado no momento em que carreguei no botãozinho laranja do dashboard que, neste meu Firefox brasileiro (argh), diz: "publicar postagem".
Não gosto de deixar este quintal abandonado por 24 horas; eu sei, porque sou uma boa jardineira (tenho mão verde), que basta um dia de descuido para estragar toda a horticultura. Por isso, a todos os que cá puseram os pés de manhã (estou a lembrar-me do Ford Motors, do Manual e, calro, do senhor meu chulo literário), mandem cartas de reclamação ao Blogger. Eu estava cansada, não me apetecia nada ouvir o debate a cinco do canal um, mas a Prudência (chata da velha está sempre cá em casa a moer-me o juízo) quase me obrigou a ficar com a televisão ligada a ronronar (eu quase nunca ligo a merda da TV; prefiro ler e escrever do que me estupidificar em frente ao rectângulo mágico; e, além disso, irrita-me o raio da caixa, é anti-decoração, fica sempre mal onde quer que eu a enfie, e estou a pensar pintar a minha Sanyo bordeaux de verde fluorescente; se se foder no processo de "maquilhagem" é da maneira que se acaba a televisão aqui na Martinha e deixo de pagar 20 euros à TV Cabo), e lá no fundo, não sei quê do túnel do Marquês, e tirar 200 mil carros da cidade, eu entretida a contar as novidades à minha mana pequenina homónima, minha fotógrafa oficial, e a escrever um post delicioso sobre o meu dia de ontem.
Há males que vêem por bem?, pergunta o meu amigo Kaos no seu comment anterior (está bonzinho, senhor arquitecto? Já não comentava há muito tempo, seja bem aparecido). Talvez. Talvez o blogger tenha sido amigo em devorar a "posta" da noite passada.
Mas foi um grande dia. Perdeu-se o registo, na espuma da noite, na espuma da net. O blogger ficou satisfeito, era um post cheio de pimenta e piripiri, mas digeriu-se muito bem.

quarta-feira, outubro 05, 2005

Implantação

Os 95 anos da República lá se passaram, uma seca, sala bonita dos Paços do Concelho, cadeiras de plástico pintadas de dourado com assentos de veludo carmim, querubins rechonchudos esculpidos em pedestais e outros anjinhos mais ao estilo arcanjo pintados no tecto do salão Nobre da câmara de Lisboa.
O Carrilho e mais os seus tiques nervosos, o Sá Fernandes com um fato tipo poliester que não lhe assenta nada bem (nem falo dos sapatos, do seu andar à Charlot e dos óculos fundo de garrafa com as lentes riscadas), o Carmona nasalado a proferir um discurso sem graça, e o Ruben, enfim, o mais bem parecido (faça-se justiça, nem parece comuna), zangadíssimo com o pasquim onde vomito caracteres - e não consegui ver se o Sócrates deitou a língua de fora ou não, ao içar a bandeira republicana na varanda da câmara, figura que fez na implosão das torres da Torralta.
Mamas mais uma vez à mostra (é um privilégio ter dias destes em Outubro, a mamita quer aproveitar os últimos raios de sol), olheiras imensas de uma madrugada insólita que durou quase até às cinco da matina, réstias de sorrisos na minha cara redonda - é que hoje fiz um amigo e coisa mais preciosa no mundo não há.

[Bloqueaste-me? Eu apaguei-te]

terça-feira, outubro 04, 2005

Bloqueada

O chulinho amuou e bloqueou-me no messenger. Mas a tarde acabou por ser muito animada no reino das janelas mágicas.

Salto alto

Oitavo dia de campanha já cá canta e, mais uma vez, fui demasiado bem vestida para uma visita às entranhas do túnel do Marquês de Pombal (e, novamente, estive com as mamas literalmente de fora, num vestido de inspiração grega) .
Tenho andado a semana toda sem saltos altos, ando fodida com isso, as chinelinhas são bonitas, encarnadas, motivos árabes, mas 1,63 não é altura que se apresente, sinto-me um taco de pia. Todos os dias suspiro no quarto de vestir a olhar para belíssima amostra do que de melhor se faz na indústria de calçado, conforto os meus ex-libris explicando-lhes que já está quase a acabar, que para a semana vamos poder voltar a fazer um vistão nas ruas de Lisboa, digo aos meus acabadinhos de comprar sapatinhos anos 50, de tirinhas rosa carne, rosa chá e brancas, que vamos arrasar já no Domingo - já decidi que vou para a sede de campanha ouvir o discurso de vitória ou de derrota do Carmona com eles calçados, no pézinho de Cinderela tamanho 40 -, enfim, vingo-me nos decotes porque não posso usar os meus sapatos lindos.
O post anterior deu logo merda pela manhã, com direito a e-mail às nove e picos da matina. Quando se é objecto de idolatria literária, chulinho, é para o bem e para o mal, estava implícito no contrato (eu só não posso divulgar quem tu és - desculpa manual), estou apenas a adorar-te pelo avesso, como na canção que a Elis canta tão bem - "dei para maldizer o nosso lar/ para xingar teu nome, te humilhar/ e me vingar a qualquer preço/ te adorando pelo avesso/ só para mostrar que ainda sou tua/ até provar que ainda sou tua" -, e não vou retirar o post, por mais embriagado e sem nexo que ele pareça a todos vós, por mais que ele te tenha chateado.

segunda-feira, outubro 03, 2005

Mentira

"Mentiroso!", apeteceu-me dizer logo pela manhã, mas era em vão, um consumo de energia escusado, não ouvias de qualquer forma, estás fora do meu alcance vocal - quando eu era mesmo muito pequena, perdia horas a olhar para a mira técnica da RTP 1 e ficava naquilo, horas a fio, à espera de uma qualquer locutora de continuidade ou de um interlúdio musical, na sala dos avós - um quinto esquerdo de um prédio da Estados Unidos da América, com sofás alaranjados de napa, que eram frios no Inverno e quentes no Verão -, e recordo com muita nitidez que a minha ambição para quando para quando fosse crescida, algures depois do ano 2000, era ser tenista (?) e queria também entrar no Guinness com o grito mais alto da história da humanidade.
Cinco anos, desdentada, uma caganita, uma amostrinha de gente e uma formiguita já cheia de catarro, a revelar um feitiozinho de merda. Gritar mais alto? Onde é que eu fui desencantar esta? Tenho bons pulmões, sei gritar bem alto, melhor: sei gritar sussurando, mas os meus dotes vocais contigo não servem para nada nada: o nosso negócio é exclusivamente literário (no outro dia, o JPH, mestre blogueiro, perguntava quem era o "chulo literário" e eu resumi secamente a questão: "é um gajo que só gosta de mim pelo que eu escrevo"; na altura pareceu-me injusto, agora acho que o meu poder de síntese esteve no seu melhor).

Mentiroso! Escrevo, então, se não me consegues ouvir daí.
Descubro hoje, por acaso, que deves ter aberto actividade nas Finanças como chulo literário há já algum tempo, que não sou a única a ter-te como objecto de idolatria literária, que escrevemos parecido e tudo, que gastamos folhas amareladas dos mesmos cadernos caríssimos de capa dura preta e elásticozinho a prender o material literário que nos inspiras e os nossos cês cedilhados foram separados à nascença. Se passas recibos, eu quero os meus, sabes a morada, conheces, inclusive, as caixas de correio, já lá estiveste encostado numa sexta-feira feliz, manda os recibos, pode ser que dê para descontar no IRS.
Não sei que raiva é esta, não me parecem ciúmes, estou imune. Dói-me as entranhas, dói-me mesmo muito, falta-me o ar, e se calhar foi mesmo por amor que tu me largaste, para eu não ser mais uma puta literária à espera da sua dose para escrever mais uns posts em blogues que começam a ter audiências assustadoras (221 pageloads hoje; parece que quanto mais negro e sombrio este terreno fica, mais olhos por aqui se fixam, e não há nada como um post de gaja, desesperado, daqueles que, certamente, muito boa gente - incluindo tu próprio - leu mais do que duas vezes, para eu ver que não estou assim tão sozinha: o primeiro foi o Vring, sempre em inglês - I will be 31 in two weeks from now [I know] and i'm alone and broken..... but what da fck [if I ever get a nervous meltdown like last nights, can I call you, Andy?] you can call me, sure don´t even ask], e tu próprio a dizeeres coisas parecidas, em português, e eu a querer gritar "mentiroso!".
E à tarde, no Atrium Saldanha, depois de o Carmona pedir maioria absoluta em Lisboa, café ao som do Schubert, uma pianista bonita a tocar sublimemente bem, eu sentadinha no banco de mármore frio a vê-la passar as folhas dos cadernos cheios de pautas e colcheias. Fiquei lá mais tempo do que podia, derramei mais uns decilitros de água salgada com a sensação desagradável de ter o cú enregelado, e um tipo sinistro ao meu lado, muito míope, a ler um livro chamado: "você sabe que precisa de óculos quando..." e a pensar, ao som do piano de cauda:"ele ainda está online, põe-te a andar ainda o apanhas online", mas isso não me preocupa mais.
Provavelmente, amanhã a primeira coisa que faço é ligar na mesma o computador, aceder ao statcounter e verificar se já vieste cá ler a produção de mais uma madrugada, mas já não me preocupa mais. Hoje, porque tenho um dedo que adivinha, gravei a nossa conversa como "fim".
Não é ciúme não. Estou a sentir-me vulgar.

domingo, outubro 02, 2005

Talvez

Talvez eu não devesse dizer tantas vezes caralho. Talvez fosse melhor não mostrar as mamas com decotes de vestidos caros, não depilar os pelitos invisíveis dos dedos das mãos e não usar o corrector de olheiras da Clinique todas as manhãs. Talvez não fosse mau ter apenas três pares de sapatos no quarto de vestir (vai na volta, até seria melhor não ter quarto de vestir) e talvez um palmo de cabelo a menos não me ficasse nada mal. Talvez fosse mais sensato não dizer tudo o que penso e pensar duas vezes no que digo. Talvez fosse preferível não ser tão inteligente e se calhar não devia escrever tão bem (a Prudência está a sussurrar ao ouvido que talvez fosse sensato não ter este blog). Talvez fosse mais acertado não dar sempre mais do que posso a quem não merece sequer um pestanejar das minhas enormes pestanas (talvez não fosse mal pensado não usar um rímel lash xxl também) e, se calhar, talvez me devesse preocupar com o essencial e ignorar os pequenos pormenores que mais ninguém vê. Talvez fosse melhor não tratar as senhoras da Retalis pelo seu nome próprio, limitar-me a pedir um crédito pelo telefone, maquinalmente, como uma gravação automática.
Talvez, assim, tudo fosse diferente.

(Talvez, se não estivesses há quase 1200 dias fora do alcançe de um telefonema de emergência, eu não fizesse um dramalhão tão grande pelo facto de a minha mãe me dizer ao jantar que estou à porta dos 30)

Hoje estás literalmente de mamas de fora

Foi a frase do dia, saiu da boca de muita gente, mesmo muita, gajos e gajas.
A indumentária para este dia de campanha era a mesma do dia memorável no Zoo, aqui captada pela minha fotógrafa oficial, Diana Quintela.

zoo2

Frase do dia

Ah, quase me esquecia, hoje foi um dia recheado de frases para o meu cantinho das autárquicas.
Em ex-aequo temos:

"Agora só canto o fado para espantar os pombos" - António Carmona Rodrigues
"POrtugal não tem alvará para ser um país" - motorista do taxi 3 da Retalis

Faz-me um blog

[Sim, JPH, sossega, foi auto-censura, não és um ditador fascista.]

O JPH, camarada de secretária, de secção, e o grande ostensivo das cigarradas no edifício verde onde criaturas com doenças crónicas ficam com o nariz a sangrar (ai, cala-te, censura-te, aguenta-te; estavas a ir tão bem...), andou a ajudar-me na redecoração deste blog.
Perdi o geek de serviço há algum tempo, não volta mais, não vale a pena ter esperanças, e, como ainda não há nenhum "Querido mudei o blog", fiquei à espera que o html do template se alterasse por obra e graça do divino espírito santo.
Gosto deste template. Apesar de adorar a cor laranja (sofá laranja, casa de banho laranja, parede laranja e, agora, até sigo o candidato laranja), e de o Vring dizer que este se lê mal (estás vivo, holandês voador?), não consigo alterar o template da (T)ralha para um daqueles que o Blogger tem à disposição do freguês, muito alegres e luminosos.
Este blog não é alegre nem luminoso. Aqui expurgo os meus fantasmas, lavo a alma à mão com sabão azul-e-branco. E este post, aparentemente inofensivo e de conteúdo light, está a ser esrito por uma alma perturbada por um sms de um chulo literário e pela ideia de o Alfredo já ter sido transformado em sabão num qualquer canil municipal e, por isso, antes de me sentar no sofá laranja, com as pernas cruzadas, para começar a dedilhar este post no teclado que ganha vida própria do meu Compaq velhote, fui passar a ferro. Já sabem que me traz alguma paz, os vincos desvincados dos enormes lençóis bordados pela minha mãe, em vários colégios de freiras do Norte do país de onde ela foi sendo expulsa por comportamentos desajustados. Mas não tinha nenhum no cesto de verga da roupa, tentei almofadas e tee-shirts da minha filha e não é a mesma coisa, não me trazem a mesma clarividência.
O JPH é o responsável pelos linquezitos aí do lado direito e pela introdução de uma caixa de correio deste quintal (sugestões, fotos porno, idiotisses, ameaças de morte - está disponível para tudo, 24 horas por dia, 365 ou 366 dias por ano; vá, tarados da blogosfera, dêem o vosso melhor: são mais de 2,5 gigas à vossa disposição, gentilmente cedidos pela Google). E este hepdesk veio de onde eu menos esperava (é tão bom quando as coisas acontecem assim, sem aviso), é um feito notável, vindo de um senhor que é do mais info-excluído que há, que chama Godzila ao meu Firefox, que teima em classificar o supra-sumo dos browsers open source como "pirata" e "amador". Mas ele anda a ficar meio geek e isso nota-se nos sucessivos liftings que o Gloria Fácil tem sofrido (o JPH também não me deixa linkar o Glória; diz que se o fizer vem cá parar todo o bicho careta; mais uma vez, está a proteger a sua coleguinha de secretária e isto é quase paternal e comove-me). Qual cirurgião estético da Corporacion Dermoestética, todos os dias há uma novidade neste blog de referência nacional. E ele vai fazendo aquilo por tentativa e erro e tem-se dado bem.
Não vou mudar de layout, porém. Este tem tudo a ver comigo, eu sou "morceguita", gosto muito do preto, mas há uns tempos encomendei um logótipo para a (T)ralha e vou cobrá-lo rapidamente, para juntar mais uma graça aqui ao quintal.
Queria também por música, Loja de Porcelanas, dos Clã, a música que eu estava a ouvir no dia em que este blog nasceu, a música, com letra de Carlos Tê, que baptizou este quintal, mas o JPH, mestre blogueiro, assim como me sugeriu a auto-censura do post anterior e me aconselhou a não linkar o Glória Fácil, cortou-me as vazas também nesta matéria e lembrou-me da vocação deste cantinho: "O teu blog é para ler".

Estou ainda a pensar fazer um outro quintal, anónimo, sobre sexo (é o que está a dar; que o diga o manual de deus, que quando escrevia sobre o senhor lá de cima ninguém comentava e agora que aborda a temática sexual é um fartar vilanagem), mas o nome que eu queria (acanzana.blogspot.com) já está ocupado. (Se era para ser anónimo, não devia ter escrito aqui. Bolas... )
Já é tarde e amanhã, Domingo, não é dia do Senhor: é dia de Carmona!