terça-feira, janeiro 25, 2005

Um ensinamento perdido do Zé Ralha

Fui injusta! Afinal, o Zé Ralha ensinou-me não duas, mas três coisas. O Zé Ralha se calhar é mesmo bruxo e sabia da minha predilecção pelos números ímpares...
Apercebi-me do lapso, noutro dia, num dia não muito distante - mas os dias têm sido estranhos, passam depressa e devagar, não sei mesmo quando foi -, à conversa com o senhor (Tsunami) Vring.
Googalizei o nome do Zé Ralha e encontrei a agulha no palheiro: o currículo do pintor. "Criou as linhas gráficas de cinco jornais diários, 15 semanários e 10 revistas", lê-se num site de uma qualquer instituição cultural de Celorico da Beira.
Sim, o Zé Ralha foi designer gráfico e publicitário também. Chegou até a ter uma agência de publicidade, a Casa das Ideias, em sociedade com uma lésbica ex-jogadora de andebol do Benfica, que eu aposto que nunca mais entrou no restaurante Isaura, na Avenida de Paris, depois de ter tido um ataque de caganeira de merda extrema (esta expressão é da minha tia Luz, a mulher de farto buço que fazia xixi de pé e falava pior que um carroçeiro) nas instalações sanitárias deste simpático restaurante.
[A propósito do restaurante Isaura, o nome da minha avó Zá, mãe do Zé Ralha, e só para demonstrar que as coincidências existem: a menos de cem metros de sua casa, a avó Zá tinha duas lojas com o seu nome - o restaurante e a florista, na Praça de Londres. Ambos ainda lá estão, parados no tempo. Sempre achei que ela tinha escolhido viver na Praça Pasteur, porque se sentia acompanhada, porque tinha dois estabelecimentos em sua honra]
O terceiro ensinamento do Zé Ralha tem a ver com design gráfico. Um dia, estava ele a gastar o equivalente ao salário mínimo da altura, em revistas estrangeiras, e partilhou comigo o segredo do negócio, qual Darwin instantâneo: "filha, em artes gráficas nada se inventa. Tudo se copia".
Seja feita justiça. Aqui foi reposta a verdade.

Sem comentários: